quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Filosofando sobre a caixa de papelão

Outro dia me peguei observando uma caixa de papelão esquecida no canto da sala. Dessas comuns, que chegam com encomendas e, quase sempre descartamos sem remorso.

Mas naquele dia ela não era só uma caixa, fiquei pensando filosoficamente sobre ela, seu valor e função:

Para quem vende

A caixa é indispensável. Protege, guarda, viabiliza. Sem ela, o produto não chega inteiro, não chega direito, não chega. Ela tem custo, tem função, tem importância estratégica. É parte do negócio.

Para quem compra

A caixa é apenas um meio. Um invólucro temporário. Cumpre seu utilidade e, em segundos, perde o valor. Vai para o lixo com a mesma pressa com que foi aberta. Não custa nada, não significa nada.

Para o catador de recicláveis

Aquela mesma caixa é oportunidade. É matéria-prima, é dinheiro em potencial. Não foi comprada, mas pode gerar renda. O que era resto, vira recurso.

Para meu gato

A caixa é um parque de diversões, em segundos se torna arranhador, esconderijo, território, palco de pequenas batalhas imaginárias. Não há cálculo, nem utilidade prática. Há prazer, afeto e brincadeira.

A mesma caixa. Quatro funções. Quatro verdades.

E foi então que me veio a pergunta inevitável: afinal, para quem a caixa é mais importante?

Talvez a resposta não esteja na caixa, mas no olhar que a atravessa.

Porque o valor nunca esteve no objeto, mas no ponto de vista.

E talvez seja assim com quase tudo na vida.

Há quem veja custo, quem veja descarte, quem veja oportunidade e quem veja encanto.

A caixa continua sendo só uma caixa.

E eu continuo sendo apenas uma pessoa pensando aleatoriedades sobre objetos inanimados na minha sala.

sábado, 5 de outubro de 2019

Dormideiras no jardim

Lembro como se fosse um rito de iniciação botânica: meu primeiro encontro com a tal da plantinha dormideira, para alguns, Mimosa pudica; para outros, dorme-dorme, maria-fecha-a-porta, não-me-toques… enfim.

Eu devia ter uns quatro, cinco anos, aquela fase de puro encantamento e curiosidade, e foi minha mãe quem me apresentou. Não houve suspense, nem trilha sonora, só um simples:
Encosta aqui.

Encostei.

E ela se fechou.

Uauuu… seria magia? Não sei. Mas repeti aquilo várias vezes, com um prazer quase insaciável.


Para minha sorte, o bairro perto da casa da minha avó paterna era praticamente um parque temático da dormideira. Canteiros cheios de mato, mato mesmo, daquele que cresce sem pedir licença, ocupavam o espaço que, anos depois, viraria o Passeiódromo de Ibitinga. Mas, na minha infância, aquilo era território selvagem, um verdadeiro laboratório a céu aberto, onde eu testava meu recém-descoberto “poder” de fechar plantas com o dedo.

Com o tempo, como acontece com quase tudo que é mágico na infância, essa fase passou… e as dormideiras também. A vida seguiu, eu cresci, me casei.

E, em um ano de pouco dinheiro e muita boa vontade, pedi ao meu marido um canteiro de Natal, não um presente embrulhado, mas um pedaço de terra organizado. Ele, que claramente entendeu o nível de importância daquele pedido, projetou e construiu, com as próprias mãos, o tal do canteiro no corredor de casa.

Plantamos flores, temperos… e ele floresceu lindamente. Um verdadeiro jardim de Natal.

Algum tempo depois, em uma feliz coincidência, acompanhei minha mãe em uma sessão de fotos em um bairro novo da cidade. Enquanto esperava, tentando espantar o tédio, comecei a explorar o terreno ao redor.

E lá estavam elas.
Aos montes. Espalhadas, livres, absolutamente despreocupadas com o fato de serem raras na minha memória.

As dormideiras.

Confesso, fiquei extasiada. Não era só uma planta, era um reencontro. Daqueles momentos em que o tempo dá um nó e te congela por alguns segundos. Fiquei em dúvida, não sou expert em plantas e já fazia décadas que eu não via uma dormideira. Então toquei.

E sim… elas fecharam.

Quase pulei de alegria, mas me contive pela vergonha de ter pessoas ao redor. Voltei para casa já elaborando um plano, que compartilhei com meu marido.

E se a gente trouxesse algumas?

Ele topou. Foi nesse momento que tive certeza de que tinha me casado com a pessoa certa.

Numa tarde qualquer, munidos de uma enxadinha e uma coragem questionável, fomos lá. Não sei se “coletar” seria o termo mais adequado. Talvez “resgatar”. Talvez “raptar”. Talvez “adoção não autorizada”.

Trouxemos uma moita.

Não sabíamos se daria certo, se elas iam aceitar o novo lar, se sobreviveriam fora do seu habitat selvagem. Mas plantamos assim mesmo, no nosso canteiro de Natal, entre flores comportadas e temperos civilizados.

E elas ficaram.

Não só ficaram como prosperaram. Criaram raízes. Cresceram viçosas, confiantes, como se sempre tivessem pertencido ali.

E então veio a última surpresa.

Um dia, notei algo diferente, pequenas esferas rosadas, delicadas, surgindo entre o verde. Descobri que a dormideira também floresce. E que flores!

Na verdade, pompons da natureza. Pequenos fogos de artifício silenciosos, que explodem em beleza mesmo em plena luz do dia. Não fazem barulho, não pedem aplauso, mas encantam do mesmo jeito.

E, ainda hoje, mesmo com pressa, me pego passando pelo corredor e tocando em suas folhinhas. Elas se fecham com a mesma meiguice de sempre.

E eu sorrio, com a mesma sensação de anos atrás:
o mundo, de vez em quando, ainda responde ao toque.

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Mãe Costureira

 

Só quem tem mãe costureira,
sabe o que é brincar entre as pernas da mãe e as pernas da máquina,

Só quem tem mãe costureira,
Sabe como é ter o sono embalado pelo som do motor daquela Singer antiga,

Só quem tem mãe costureira,
Sabe o que é levar bronca por desregular o ponto e rebentar a linha
Sumir com a tesoura, derrubar as bobinas...

Só quem tem mãe costureira
Sabe como é ter as roupas mais únicas da escola.
Os vestidos mais lindos da igreja.

Talvez eu seja uma filha de costureira
Não é vergonha
Ser trabalhadeira
Mãe que é mãe, é costureira nata
Ela completa o que nos falta.

Sempre inquieta
Costura tudo com dedicação,
tecido chique
ou um fato triste do coração
Uni retalhos,
E os pedaços falhos
Ela não joga não.

Mãe que costura
é a alma pura que nos remenda
e quem nos cura de coração.





 

 

domingo, 24 de março de 2019

Vaidade



Nunca fui vaidosa
Minha mãe orgulhosa, recrimina
Ela faz o tipo perua convicta
Elegante
Distinta
Bem vestida
Quando me vê
Descabida, descabelada, quase infarta

Mas eu sou dessas...
Um banho, Um jeans
Um batom? (às vezes)
Os cabelos? ( só penteio)
Às vezes só amasso
Maquiagem? Raramente
Salto alto? Quase nunca!

Prefiro o tempo durante um encontro
Não perco muito tempo antes dele

Eu não ligo para a estética
A beleza que encanta os olhos é perecível,
A beleza que encanta os poros é para sempre!

Sobre os Besouros


Hoje perdi algum tempo contemplando a estética peculiar, para não dizer estranha de um besouro...


É engraçado, pois na minha região em determinada época do ano os besouros se tornam visitas frequentes, e inconvenientes, diga-se de passagem, mas que enfim aparecem, aos montes, de cores e tamanhos variados, invadem todos os cômodos da casa, são atraídos e traídos pela luz caem no chão como helicópteros desgovernados. Mas esse não é o fim, pois eles não morrem pela queda, possuem carapaças resistentes, uma teimosia admirável e sempre voltam a voar novamente. Mas o que realmente me instiga é:
Como é possível com uma aerodinâmica tão inadequada seres como esses poderem voar?
Voam mal, é verdade! São como jovens pilotos, inseguros, a inabilidade é notada em cada movimento.
Não há pouso suave ou voo leve como os pássaros, é sempre uma manobra perigosa e quando menos se espera o encontro com a parede.
O que mais odeio nessa história é que quando aparece um besouro, ele nunca vem sozinho, é praticamente uma confraternização “besourística” em minha varanda eles voam, se trombam, enroscam em nossos cabelos, grudam em nossas roupas e eu fico me perguntando, Porquê Deus decidiu dar asas justamente aos besouros?

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Em defesa do Avental




EM DEFESA DO AVENTAL...

O Avental é um dos acessórios de cozinha que mais causam reações de amor e ódio.
Enquanto algumas pessoas simplesmente o repudiam, outras adoram e não ficam sem usá-lo.


Contudo a questão é que o avental é visto apenas como um símbolo de "serviço" e “trabalho doméstico”, uma camisa de força, normalmente vinculada à figura feminina, uma forma de escravidão em que as correntes feitas de tecido prendem o corpo e nos forçam ao trabalho. Porém o que poucos percebem é que a função primordial de um avental é a proteção! Ele é colocado à frente justamente para que nos poupe de eventuais riscos e acidentes, e só depois de muito tempo passou a ser utilizado como elemento estético ou como uniforme muitas vezes relacionado à repressão culinária. Mas isso vai mudar! Pois nós afirmamos em defesa dos aventais que eles não são vilões e que são mais democráticos do que aparentam: estão no corpo de artesãs e churrasqueiros, jardineiros e grandes Chefes  e justamente por sua utilização relacionada à cozinha remetem a um sentimento muito mais honroso do que julgamos.


Cozinhar para quem amamos já é em si a expressão máxima de amor, contudo se nossa percepção é de que cozinhar é uma obrigação  imposta pela rotina, família ou sociedade então realmente não há salvação e a melhor opção é pendurar o avental e ir comer em um restaurante.
Afinal lá provavelmente haverá alguém cozinhando com mais amor que você!


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Dose Poética nº 22





Ela tinha apenas um chinelo nos pés...

O caminho era seco

mas o peito era fértil

algumas coisas não custam nada,

mas valem tudo!

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Ao meu pai



Nem todos os filhos tem o privilégio  de comemorar o Dia dos Pais, com seus pais...
Talvez o acaso do destino os tenha separado, os afastado ou talvez nunca os tenha unido como a nós, mas eu posso comemorar mais um Dia dos Pais com você, e isso é muito importante pra mim.


Por isso não leve a mal meu jeito implicante e exigente, talvez esses sejam efeitos colaterais da profissional que me tornei e isso, é graças a você também!
Você me ensinou o valor das coisas, a determinação em relação aos meus objetivos, a responsabilidade sobre minhas escolhas, por isso parte da mulher que sou hoje devo a você pai!

Você me explicou desde cedo algumas lições da vida, e apesar de adulta ainda aprendo com você todos os dias. Entendi com você que a paciência é uma virtude inestimável e que nunca se é velho demais para ser criança de novo.
Aprendi com você que tem um pai, ganha uma dúzia de outras pessoas: eu ganhei um amigo, um fã, um herói, uma platéia. E por mais que com o tempo tenha perdido seu colo nunca fiquei órfã de seu afeto.

Ao certo que desde criança em seus braços ganhei a segurança de uma rocha e a confiança de um pássaro.
Você me deu apoio e incentivo, foi o adubo necessário para que muito dos meus sonhos florescessem.

Hoje posso dizer com orgulho que divido com meu pai algumas de minhas paixões pessoais: música, moto, viagens, pizza pipoca, TV e avião.
Posso dizer que meu pai me deu as maiores recompensas depois de um dia de trabalho: um sorvete no fim do dia ou uma blusinha depois de um sábado de boas vendas.

Posso dizer que apesar de atrapalhado, meu pai é sempre pronto, Pai "pra" toda obra!
Por isso só tenho a agradecer, Obrigada Pai!
Você me levou a escola, ao cinema e ao altar, pode faltar de tudo, mas amor entre nós nunca vai faltar.


_________
Outro dia pensando sobre os pais, cheguei a seguinte conclusão: “Deve ser muito difícil ser pai ( presente)... Ser pai, é como ser coadjuvante de um grande espetáculo, é como ser dublê de uma grande personalidade: A mãe. Os pais são muito criticados e nem sempre reconhecidos. Ao contrário, as mães sempre ganham os créditos e os méritos de uma boa educação.

domingo, 20 de janeiro de 2019

A Face do Fracasso


Tanto espaço,


Mas não é fácil caber em mim
Se eu coubesse,
Guardaria-me para sempre
Esconderia-me no jardim.

Como não posso,
Escondi o meu rosto de todos
O desgosto guardei só para mim
O fracasso que vi cara a cara
Tentei fingir que não vi.

De vergonha quebrei o espelho
Foi assim que feri minha imagem
Sei que miragem é a verdade que vejo
Mas também sei que ela é mentira
Que não posso sentir.

Já o fracasso que estampa meu rosto
Ao contrário é evidencia nos olhos
É marca fincada no peito
Se negá-lo fizesse efeito
Talvez me sentisse melhor.

Como a derrota é maior que meu leito
Me deito em meu próprio fracasso
E me enterro sob os desabafos
Que guardei para me consolar.

sábado, 31 de março de 2018

Dose poética n° 21



“Realização é saber que tenho tudo que preciso, mesmo não tendo tudo que gostaria de ter”... “O suficiente me basta, mas não é o bastante para o ingrato que tem o mundo em excesso.”





terça-feira, 28 de novembro de 2017

Sobre as emoções



Quando eu era mais nova, morria de vergonha quando minha mãe decidia contar coisas da minha infância para as amigas, vizinhas e parentes... Com o tempo, a nostalgia ganhou minha personalidade de tal forma que eu mesma pedia para ela repetir mil vezes essas histórias de infância.
Em uma dessas ocasiões, ela me contou que quando nasci quase não chorava, e depois de alguns dias, ainda recém-nascida, ela percebeu que quando eu chorava não saiam lagrimas dos meus olhos. Descobriram que não era frescura, mas uma peculiaridade relacionada à uma obstrução do canal lacrimal. Coisa simples, nada que uma ida ao pediatra e uma furadinha no orifício lacrimal não resolvesse.
Mas o caso vai muito além de lágrimas e histórias de infância, tempo depois fiquei pensando sobre isso e percebi que durante a vida toda, eu e quase todas as pessoas ao meu redor, viviam em um dilema em que consiste em suprimir seus sentimentos e emoções, em um dilema em que chorar é considerado uma fraqueza. 
Dogmas sociais que nos escravizam e nos encurralam. Eu mesma já me vi dezenas de vezes chorando escondida ou sabotando as lágrimas, teimosas companhias que insistiam em cair. Chorar na frente dos outros? NUNCA! Aprenda a chorar no banheiro ou no travesseiro e lhe dirão quão forte é sua personalidade.
Você certamente já ouviu:
_ Homem não chora.
_ Não liga não, são lágrimas de crocodilo...
_ Engole esse choro!
_ Aquela ali chora por qualquer coisa, é uma manteiga derretida.
E no final das contas, como disse, não se trata de lágrimas e histórias de infância, se trata das emoções: sentimentos automáticos e instintivos, que normalmente não sentimos plenamente, por medo, pudor ou vergonha. Estamos preocupados demais em guardá-los e escondê-los e para minimizar nossa culpa, dobramos ao meio, cada porção de emoção e colocamos no fundo de nossa caixa de Pandora. O que não percebemos é que ao guardar lá dentro não é a mesma coisa que jogar fora. E a pior maneira de neutralizar uma emoção é conter sob pressão, pois um dia ela estoura.
Já vi pessoas pacíficas, mas que no passado humilhadas, chateadas e oprimidas, num momento de raiva agrediram inocentes e mataram por nada. Homens descentes que cresceram sem mãe ou sem a figura paterna, e que e em um momento de revolta passaram a espancar os filhos e a esposa. Tantas mulheres solitárias com baixa autoestima, em um dia desejaram a morte, no outro dia, suicídio.  
Emoções contidas explodem! Mas elas em si não são inimigas, estão intrínsecas à condição humana ignorá-las é negar a si mesmo, aprisiona-las é fazer-se de detento.

Sinta cada emoção, mesmo as mais dolorosas com a intensidade que lhes são pertinentes. Tristeza, mágoa, luto, frustação... Cada condição tem seu próprio consolo.
E quando vier àquela vontade de chorar, ignore a inútil vontade de secar cada gota antes de chegar à boca, aceite e prove o sabor amargo, mas de fato salgado de cada derrota. Não aborte o próprio choro. Entenda que dos infinitos motivos que nos faz sorrir, a felicidade é um deles e até mesmo ela pode nos fazer chorar.



quinta-feira, 18 de maio de 2017

Existência Transitória {faixa poema}




Invisível movimento... Sou o vento
Eu lamento estar tão próximo
E não sentir por onde passo
... Há pedaços de lugares onde estive
E que sempre junto
Cheiros e vestígios vão comigo
Tantas texturas acaricio
Mas não às sinto ao passar.
Quero o tato, quero o toque e o afago.
Sou a mão e o abraço
Entre mim cabe o espaço
Mas a liberdade onde está?
Confesso que não a conheço
Sou o abraço e o cativeiro.
Eu prendo a mim mesmo
E quem sempre quero perto
Mas há tempos estou cansado
Quero ir além do abraço... Sou pássaro
Conheço o mundo de longos vôos
De raros pousos
Conheço o céu e seus atalhos
A terra e seus caminhos
Meu ninho é onde paro
O céu é onde sigo
O horizonte é infinito
Vivo livre, vivo só.
Minhas asas vão abertas
Mas no peito algo aperta
É um nó, é um não.
Não é hora de voar, diz o tempo.
É momento de pousar
Criar raízes e curar as cicatrizes
Pois as aves morrem jovens
Enquanto as arvores envelhecem
A natureza me tece,
De  galhos abertos, folhas á espera...
A terra me concebe... Sou árvore
Semente que cresce
Olhe meus ramos
Eles acenam por anos
E a sombra que faço ofereço de graça
Infelizmente quem passa
Nem sequer me percebe
Desejo por isso passar por aqueles que passam por mim
Acariciar-lhes apele
Como um sopro e mais breve
Que uma brisa
Quem avisa chega antes
Vou distante forte e lento
Invisível movimento... Sou o vento
 

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Flor Primaveril



Eu amo a primavera
Mais que o outono, mais que o verão.
Não quero o calor
A murchar minhas pétalas
Nem mesmo o inverno
A secar meus botões.

Espero ansiosa que a primavera das flores,
Com primor dos amores
Me envolva em ternura
E com sua doçura, me faça florir.

Entre campos e ramos,
Não quero ser a mais bela
Mas serei a primeira
A anunciar a primavera
Para todo jardim.

E assim o inverno
Não será mais calvário
Pois os pingos de orvalho
Que tendem a surgir
Não tornarão os meus frutos murchos ou fracos,
Nem farão que minhas folhas retornem a cair.

Vicejantes então
O que antes tão secas,
Minhas pétalas frescas
Donzelas que enfim, irão se abrir.
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