quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Filosofando sobre a caixa de papelão

Outro dia me peguei observando uma caixa de papelão esquecida no canto da sala. Dessas comuns, que chegam com encomendas e, quase sempre descartamos sem remorso.

Mas naquele dia ela não era só uma caixa, fiquei pensando filosoficamente sobre ela, seu valor e função:

Para quem vende

A caixa é indispensável. Protege, guarda, viabiliza. Sem ela, o produto não chega inteiro, não chega direito, não chega. Ela tem custo, tem função, tem importância estratégica. É parte do negócio.

Para quem compra

A caixa é apenas um meio. Um invólucro temporário. Cumpre seu utilidade e, em segundos, perde o valor. Vai para o lixo com a mesma pressa com que foi aberta. Não custa nada, não significa nada.

Para o catador de recicláveis

Aquela mesma caixa é oportunidade. É matéria-prima, é dinheiro em potencial. Não foi comprada, mas pode gerar renda. O que era resto, vira recurso.

Para meu gato

A caixa é um parque de diversões, em segundos se torna arranhador, esconderijo, território, palco de pequenas batalhas imaginárias. Não há cálculo, nem utilidade prática. Há prazer, afeto e brincadeira.

A mesma caixa. Quatro funções. Quatro verdades.

E foi então que me veio a pergunta inevitável: afinal, para quem a caixa é mais importante?

Talvez a resposta não esteja na caixa, mas no olhar que a atravessa.

Porque o valor nunca esteve no objeto, mas no ponto de vista.

E talvez seja assim com quase tudo na vida.

Há quem veja custo, quem veja descarte, quem veja oportunidade e quem veja encanto.

A caixa continua sendo só uma caixa.

E eu continuo sendo apenas uma pessoa pensando aleatoriedades sobre objetos inanimados na minha sala.

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