Que falem as vozes mudas
Que vejam os olhos cegos
Que ouçam as palavras surdas
Que nunca ouviram o próprio eco.
Meus dedos mudos e mutilados
Um dia teceram sonhos
Um dia disseram afagos
Mas hoje já não posso mais esculpir sorrisos
De acariciar outras mãos sou impedido... E
censurado.
Minhas pernas são as muletas que carrego
Meu caminho é o destino que me obrigaram a seguir
Ai de mim!
Não ouço e sou cego
Não nego a liberdade
Mas tarjaram minha saudade
Para que eu não a sentisse.
Calaram minha voz
Me privaram das palavras e da visão
Amarraram meu coração
Para que eu não amasse
Que impasse
Já não penso, já não sinto,
Repreendido no meu quarto
Eu me tranco e desabafo
... Com as paredes novamente.