Os cupins de minha mente
Devoraram meus neurônios de madeira
E minha pele resistente
Se desfez como poeira
E sob o chão me enterrou.
Quando de mármore eram meus ossos
Pensei que eu resistiria
Mas o tempo eu não suporto
Pois ele corrói como ácido
Meus ossos que eram de ferro
Meus músculos que eram de aço.
Eu tentei manter-me em pé
Sobre a sola que se esvaia no asfalto
Mas a fé que era meu único calço
Fraca também pereceu
E assim fez perecer o que eu era.
O sangue meu que antes corria
Aos poucos secou e dessecou minha face
Minha carne antes sadia
Dissolveu-se lentamente
Enquanto a mente também apodrecia.
Hoje me vejo...
Sou adubo da terra
Por isso não morro
Nem me extingo de tudo
Eu vivo para sempre
No grão na semente
Na terra e no caule.
Se vale a vida
Morrer também vale
Alimento o homem e os meus descendentes
Serei para sempre nessa minha morte
O que eu nunca fui na minha vida inteira.
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