quarta-feira, 4 de abril de 2012

Pedras não choram

 
Pedras não choram
Não sofrem de dor
Não sentem o sabor
Do fel de viver.
Às vezes desejo ser sólida e lúcida
Como uma pedra que nunca amolece
E nunca entristece seus dias com dúvidas
Talvez eu assim fosse mais forte
Mais dura e fria
No vigor de uma rocha
Não mais sentiria
A fraqueza humana
Nem sua covardia
Mas na verdade só me iludiria
Pois pedras não choram
Não por que são fortes
Mas por que ninguém
As concederam as lágrimas
Pedras não sofrem
Não porque são frias
Mas porque ninguém
As permitiu a vida
E bem assim são solitárias
Caladas numa tristeza muda
Num silêncio surdo
De uma superfície dura
Não sentem a dor,
Nem a solidão do abandono
Sem dono vivo
Sem rumo certo, são inocentes,
Machucam os pés mais imprudentes
E ferem as mãos desavisadas
Entretanto não são culpadas
... Estão sozinhas,
Às vezes numa estrada
Ou preciosas numa jóia
Cobiçadas ou esquecidas
Por isso agora,
Não quero mais ser como elas
Afinal pedras não choram
Porque não podem,
Se pudessem seriam úmidas
E é bem certo, elas são frágeis,
Às vezes cedem...
Quando se partem, às vezes sofrem,
Porque não podem ser sempre fortes
Ás vezes quebram,
Porque o destino de uma pedra
Ás vezes é duro
Ás vezes é frágil...

segunda-feira, 26 de março de 2012

O mistério por trás de uma face


O disfarce da alma doente
É a face fingida e contente
Que esconde a dor de um corpo
Insanidade de um louco
Por trás de um olhar invisível
E a tristeza profunda invencível
Que disfarço num sorriso amarelo
Não quero que a vejam e por isso
Faço oculta e jamais a revelo
Pois o mistério que envolve meu íntimo
Escondo dos olhos sinceros
Para que não descubram os segredos
Do meu pobre corpo singelo
E assim minha face tão falsa
Disfarça o maior dos pecados
A dor de um amor rejeitado
Dentro de um coração condenado
A morrer sem dizer a ninguém
O amor que tenho guardado.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Dose poética nº 18


Nosso maior patrimônio são as pessoas que amamos
Nosso maior território é o espaço entre os braços 
daqueles que desejamos...

domingo, 11 de março de 2012

Criatura


O sopro de Deus me trouxe a vida
A vida me fez humana
Não santa e nem divina
De corpo e de alma insana.

O barro me deu a forma
Estética forma imperfeita
Receita que o homem deforma
Recria reforma e rejeita.



O mundo me emprestou um caráter
Imprestável disfarce indigno
Por isso sou apenas a parte
De um traje de carne iníquo

Por isso sou só um pedaço
De barro de terra esculpida
Na argila que envolve a vida
Na pele que acolhe a alma, 
alma pobre e vazia.

Por fim, não por mim eu fui feita.
Na beira da boa vontade
Infelizmente não sou a imagem
Da obra de arte de meu escultor.

Infelizmente não sou o retrato
Abstrato do meu criador
Me tornei criatura imperfeita
Gravura eleita de amargo sabor.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Escolha

Perdi muito tempo ouvindo apenas as músicas que gosto, escolhendo a dedo as pessoas por perto,
preferindo sabores, odores, as coisas de sempre, o trivial, o convencional e o comum.
Escolhas...Como as folhas que o vento espalha, algumas eu pego, algumas eu perco.
E quantas coisas perdi ou deixei de saber, quantos incertos acertos quantos erros provavéis eu deixer de cometer.
Há muitos mistérios numa escolha e centenas de outros nas escolhas que nunca fazemos.
Vou parar de escolher e deixar o meu ser, vagante e perdido ser escolhido pelo mundo afinal.
Deixar que venha a mim, os livros que não leio os amores que não quero, as oportunidades que não espero, as pessoas que evito.
Vou parar de me privar do que o mundo oferece, vou fazer uma prece para para aceitar as mudanças.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Documentário da facu

O TERRITÓRIO E A FESTA: 
ESTÉTICA JUVENIL GLOBALIZADA E OS JOVENS EXCLUÍDOS
Documentário produzido pela agência ACME da Faculdade São Luis de Jaboticabal, para a disciplina de Antropologia da Cultura Visual (profº Clóvis Santa Fé Junior). Baseado no texto de Glória Diógenes.




Francine Carla da Matta
Janaia Fernanda Fabri
Jeferson Cristiano Reghini
Marcelo Gustavo Ferreira
Rodrigo carlos Bettucci

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

sobre a beleza...

A beleza não é uma certeza universal
Absoluta
é uma sutileza resoluta
e particular.

Já vi beleza peculiar, vulgar
já conheci belezas ocultas
mas nenhuma delas
era igual a outra.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Poesia em áudio e vídeo 8

Ana Carolina recita: Te olho nos olhos

O culpado


A culpa é sua
A culpa é minha
De quem deixou entreaberta
A porta errada na hora certa
Porta feita de ternura
Na doçura dos amores
Seja aberta com brandura
Pelo toque enamorado
Seja vista com carinho
Pelo olhar apaixonado

Mas lhe disse outro dia:
_ Não se arromba um coração
_ Não se pula a janela
Mas quem me dera ter na mão
O amor que prometera
Infelizmente já não quero
Que invada meu coração
Ou arrombe a fechadura
Meu coração já tem um dono
E a culpa é toda sua.

Hoje ele mora no meu peito
Onde quis que você estivesse
Não roubasse antes meu coração
Talvez um dia eu lhe desse.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A falta que você me faz


A rosa branca ainda não murchou,
O vinho tinto ainda não acabou,
E você já foi embora.
Virando a cara,
Batendo a porta,
Mas a vela ainda não apagou
Minha alma ainda não aceitou a sua ausência
Meu olfato não esqueceu a sua essência
Nem minha boca esqueceu seu sabor
E você ainda não voltou...
Meu espírito ainda não se acostumou
Minha alma não se conformou com sua falta
E você já me faltou.
Quando o sono não me veio
Não me veio você também
Só espero que venha logo
Antes que morra mais alguém
Um alguém que ninguém sabe que sou eu
Que morre todo dia por você sem saber.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Curte ou compartilha?

Não sei o que é pior...

1º Um provável estupro em rede nacional ;
2º Uma gravidez forjada;
3º Uma reprise do Titanic na Itália;
4º Uma anônima que está no Canadá e quando volta é mais famosa do que a Madonna;
5º A brincadeira de vivo-morto do Chavez nas redes sociais,
6º Ou um levante popular a favor da volta das sacolinhas plásticas...

 ***

É lamentável, mas temos um dom de multiplicar o lixo fútil da indústria cultural e das redes sociais.
Temos uma habilidade incrível de dar audiência à quem não merece, chorar por anônimos que falecem, revolucionar a favor de causas que nem ao menos acreditamos.
Já está na hora de rever nossos valores, estabelecer novos critérios, melhorar nosso filtros pessoais em relação as informações a qual somos expostos, afinal, se o que curtimos e compartilhamos for um reflexo do que somos , minha nossa, somos mais fúteis do que o último sucesso do Michel Teló...

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Dose poética nº 17

"A riqueza das pessoas não está nos bens que elas possuem,
mas no caráter que elas constroem ao longo da vida".

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Reflexo



Se você se reconhecer em minhas linhas
É porque em cada palavra que guardo
Tem uma parte de mim
Uma parte de ti, 
E de todos aqueles que me tornaram o que sou...

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Murmúrios na sala


As fotos se olham
Com o mesmo olhar
Que sempre se olharam,
Mas as fotos não vêem
Apenas suporta o que viram
Os outros retratos.

Os quadros falantes
Falam dos jarros
E ouvem as paredes
Fofocas dos vasos
Lamentos da porta.

As flores ainda que mudas
Não mudam de canto
Mas encantam os lustres
Com doces perfumes
Aromas do campo.

Os móveis tão nobres
Andam de um lado para o outro,
Mas quando ouvem vozes
De estranhos por perto
Se tornam imóveis.

Calados e quietos os enfeites não reclamam
Não sussurram os estofados
Não retrucam,
Não imploram.

Na sala,
Agora calam as almofadas
Pois quem fala são as pessoas
Os adultos, os idosos.

Tediosos os objetos
Esperam ansiosos
Que as pessoas se retirem
Para que as poltronas
E as outras coisas continuem
Os assuntos, os murmúrios, as conversas.


quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Salve Ibitinga, Salve, Salve!

Ibitinga, Terra Branca, Capital Nacional do Bordado, Estância Turística... Tantos adjetivos para uma cidade que tem deixado tanto a desejar. Você já parou para pensar que nossos maiores adjetivos são terríveis farsas?





1-     O tradicional bordado que nos tornou famosos nacionalmente, na verdade não existe mais, algumas das peças ainda bordadas são feitas por máquinas computadorizadas, e as raras feitas artesanalmente são vendidas por ambulantes e pequenos fabricantes informais. Definitivamente, podemos ser a capital nacional de muitas coisas: da estampa... Da malha, do enxoval, mas me desculpem do bordado não... Contudo ainda ostentamos o nome, e o pior, a feira que leva o mesmo nome é mais vexatória ainda, afinal a Feira dos Bordados de Ibitinga é na verdade uma liquidação de peças de estoque, um saldão de produtos fora de linha, a preços bem salgados, ou seja, ao contrário de outras feiras em que são apresentadas NOVAS COLEÇÕES, LINHAS E TENDÊNCIAS DA ESTAÇÃO, a nossa é apenas uma vitrine de produtos ultrapassados. (deixo bem claro, não estou questionando qualidade e beleza, normalmente Ibitinga produz belos artigos)

2-     Ibitinga peca, e peca em coisas simples... Denominamos-nos Estância Turística e focamos nossos esforços no comércio, mas além de termos um dos piores atendimentos que conheço, nossa infra-estrutura é falha, falhamos pelos restaurantes, pelos hotéis, pelos banheiros públicos, pelos postos de dúvidas inexistentes, pelas atrações culturais que não temos, e quando as temos não às prestigiamos, somos mal educados com os turistas, tratamos com descaso nossos próprios conterrâneos.

3-     Sofremos de uma patologia que um amigo meu chama de "ibitinguisses" veja o pq... Somos preguiçosos demais para criar, mas espertos o suficiente para roubar boas ideias, talvez por isso nossa cidade esteja repleta de lojas e produtos tão idênticos... Fazemos tudo igual e esperamos resultados diferentes, não revolucionamos nosso negócio e depois reclamamos da crise... E como gostamos de reclamar... Montamos um boteco e já nos consideramos empresários, mas não investimos em capacitação, publicidade ou em novas tecnologias.Ao contrário, adoramos ostentar carros, casas e ir à Ribeirão só pra tomar uma cerveja...aff, como vivemos de aparências em Ibitinga.






terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Anjo Perverso

Minhas asas são vermelhas
E uma delas está quebrada
Minha aureola é só de enfeite
E de inocente eu não tenho nada.

O meu nome é macabro
E meu cabelo cacheado não esconde minha intenção
Sou amigo do diabo
E do demônio sou irmão.

Sou ovelha negra do meu pasto
Meu coração é tão devasto
Minha alma é impura
É de "paura" eu vou morrer.

Sou maldito na minha tribo
E sei que índio eu não sou
Apenas fujo do destino
E não sou bem vindo aonde vou.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

2012: O que aceito e o que dispenso


Já decidi!
Em 2012... Não quero parar de fumar, nem beber menos
Dispenso os discursos ridículos
E os regimes de início de ano
As promessas fajutas deixarei com os políticos
Pois não quero o cinismo de palavras vazias.
Já decidi!
Vou parar de fazer planos
Porque os anos passam
E nunca cumpro com minhas obrigações
Eu nunca supro minhas expectativas...
Já decidi!
Ano que vem vou aceitar todos os desafios...
E encarar mais um provável fim do mundo
Afinal, esse é o único mundo que tenho.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

A raspa do tacho

Quem olha essa cama, entre lençois bagunçados e bichos de pelucia tem a certeza de que uma criança dorme ali...Poucos sabem que quem habita essa cama é uma garota que emanda uma certa idade, mas não perdeu a liberdade de também ser um pouco criança (...) 

Minha irmã é uma criança que trabalha
Uma mulher que se atrapalha
E às vezes faz manha
No trabalho, responsável e eficiente,
Uma garota que chegou à maioridade consciente
E na flor da idade descobriu o amor.
Não tem pudor, nem vaidades
Sua beleza na simplicidade de um sorriso
Seu Abraço tem  o poder de um abrigo.
Não sei dizer se sou a mais velha ou a caçula
Às vezes dou a bronca, às vezes levo duas
Mas minha irmã é como uma criança que nunca cresce
Uma face que não envelhece
Acho que no fundo ela é um reflexo de mim mesma.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Boas Lembranças

Você é o presente
Que eu insisto em dizer que é passado
Mas que ainda é tão recente
Quanto o orvalho da manhã
Que ainda não secou.
Em minha vida você ainda continua a ocupar
Um espaço precioso que eu te nego
Que reclamo que discuto,
Mas por fim eu te entrego
Afinal, sempre me rendo aos teus encantos,
Mas, no entanto...
Já não te quero mais por perto
A atrasar o meu presente
E me prender ao meu passado
Só te quero navegado
Em alguma lembrança minha
Como se fosse o próprio mar
A me trazer a maresia
É assim que eu te quero
Para sempre dia-a-dia,
Pois se não for hoje como saudade
Não será amanhã como alegria.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Amor em versos

Queria ter em minhas linhas
Palavras suas e suas rimas
Num só poema ser seu rascunho
Para te fazer minha obra prima.
 
Queria estar na sua alma
Para nossa valsa ser melodia
Numa estrofe um rodopio
Fizesse então, nossa poesia.

E num soneto nossos quartetos,
Seriam sonhos
Não mais estranhos, os nossos versos,
Sempre guardados, seriam eternos.

Eu e você um só destino
Mesmo encanto, no mesmo canto,
Mas se não formos um só poema
Serei apenas papel em branco.
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